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quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

1 ANO DEPOIS, O DEPOIMENTO DE QUEM VIVEU A TRAGÉDIA!



Um ano após tragédia, moradores da região serrana do Rio reclamam de medo, abandono e desperdício de dinheiro público44

Vizinhos na Posse, bairro que mescla casas simples e condomínios de chácaras luxuosas em Teresópolis, região serrana do Rio de Janeiro, ambos são sobreviventes da chuva que dizimou mais de 900 pessoas, segundo cálculos da Defesa Civil do Estado, na noite de 12 de janeiro de 2011. Só em Teresópolis, segunda cidade mais atingida, foram quase 400 mortos.

Um ano depois, a reportagem do UOL percorreu as três cidades que mais sofreram os efeitos das fortes chuvas --pela ordem de mortes e destruição, Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis-- e viu que obras de recuperação e de prevenção não realizadas ou executadas a um ritmo excessivamente lento eximem a “saudade” relatada pela moradora de se tornar mera força de expressão.

Nos depoimentos, revolta com a inoperância de administradores, decepção pelos bens perdidos e acumulados ao longo de uma vida e saudade pelos amigos e parentes que morreram são tão perceptíveis quanto o medo de que o episódio se repita --uma vez que a vulnerabilidade está exposta em cada município visitado.



E nas três cidades, o que não faltam são cenas como encostas ainda com desabamentos, quando chove, moradores que vivem em áreas de risco e obras cuja eficiência e celeridade são postas à prova pelo olhar de quem mora e mesmo de quem é de fora.

O UOL fez contato com as assessorias dos prefeitos das três cidades para a série de reportagens sobre a região serrana que será publicada a partir de hoje. Até esta publicação, contudo, nem Paulo Mustrangi (PT), de Petrópolis, tampouco Arlei Rosa (PMDB), de Teresópolis, ou Sergio Xavier (PSD), de Nova Friburgo, retornaram o pedido de entrevista.


Em Itaipava, comerciante “tem que rebolar”

Cidade com pouco mais de 296 mil habitantes, Petrópolis teve os estragos concentrados no distrito de Itaipava --onde está o vale do rio Cuiabá, localidade rural que concentrou as mais de 70 mortes do município.

No comércio do vale, moradores têm viva na memória a madrugada do dia 12 de janeiro do ano passado, quando, por volta das 2h, começaram a sentir os efeitos da chuva e dos primeiros e mais intensos deslizamentos.

Em vários estabelecimentos, são comuns as tábuas fixadas a alturas a partir de dois metros para preservar os bens de eventual nova enchente. Afinal, a do passado pode ter sido a maior, mas não foi a única. Que o diga o fevereiro de 2008 ainda mencionado nos relatos.

A reportagem esteve no local em um dia útil e horário comercial. Ao lado de montes de areia retirados do rio, uma retroescavadeira parada desperta a ira e incredulidade dos vizinhos.

“Não é possível que todo ano vai ser a mesma tragédia, né? Essas obras aí são de enganar bobo. Nós, comerciantes, não tivemos ajuda nenhuma; só eu tive mais de R$ 100 mil de prejuízo. Apresentei todos os documentos [para obter facilidade de crédito], estou pagando o que perdi e o que tive que repor”, desabafa o comerciante Ademir da Costa Maia, 56, dono de uma loja de materiais de construção.  “A gente tem que rebolar; as vendas caíram quase 100%”.

A mulher de Maia, Sandra Helena da Ponte Maia, 44, se emociona ao lembrar dos 13 mortos só na família dela. “Fora amigos, clientes, vizinhos... A gente sabe que o dinheiro para reconstruir veio, e não só do governo federal. Ficam a dor e a revolta de saber disso e saber de gente que vive ou de aluguel social [benefício de R$ 500 mensais] ou de favor”, diz. “Fiquei doente por causa disso aqui. É um estado de abandono total”.

Em Teresópolis, muita propaganda e pouca recuperação

Segundo município mais afetado, Teresópolis teve quase 400 mortes em bairros urbanos e rurais e coleciona atualmente placas de obras executadas pelo Estado e que estampam cifras de milhões de investimentos que, na prática, mostram que ainda há muito por fazer.

Na cascata do Imbuí, por exemplo, o tradicional point de turistas deu lugar a ruas enlameadas e uma paisagem assustadora de encostas nuas e água escura de barro. Ao redor da cascata, e nas ruas próximas, obras de contenção ainda no começo, ou pela metade, ganharam pichações de supostos moradores indignados com a demora.

Ainda nas proximidades, casas --dentre as quais, algumas mansões-- que eram escondidas por muros gigantes jazem à mostra com objetos na parte externa e muito mato. “Cuidado que aí tem cobra”, grita um morador que passa de bicicleta no meio da poeira espessa da área. Boa parte dessas construções pertencia a pessoas da capital ou de bairros nobres da própria cidade.

“É de ficar triste, revoltado com uma situação dessas. Pontes e estradas foram destruídas, creches e escolas interditadas e córregos viraram rios. Só na minha casa o barro subiu 1,90 metro, tivemos um prejuízo grande, mas o pior é ir lembrando das pessoas que morreram e ver que, às que ficaram, faltam critérios para se pagar aluguel social, por exemplo”, reclama Madalena Rucker, coordenadora de um projeto social voltado à inserção de jovens e adolescentes no mercado de trabalho. Vários, diz ela, morreram na tragédia.

Pelo caminho de várias ruas, pedras de até dois metros de altura que deslizaram há um ano persistem: algumas poucas cortadas a máquina, mas a maioria lembrada por vizinhos como a causa de bairros quase totalmente destruídos --caso de Campo Grande.

Onde tudo começou, um fim "aterrorizante"

Em Nova Friburgo, cidade onde os primeiros deslizamentos foram registrados já na noite de 11 de janeiro, os estragos ainda são bem visíveis em áreas da zona urbana --tão explícitos quanto o centro turístico-- e da zona rural. O município foi o que mais sentiu os efeitos da tragédia: só lá, foram mais de 400 pessoas mortas.

Principal ponto turístico da cidade, o teleférico está parado há um ano e a praça do Suspiro, onde ele está localizado, não teve em 12 meses finalizada a obra de pavimentação e outras benfeitorias. Em pleno fim de semana, como constatou a reportagem do UOL, o local fica vazio e com donos de charretes de passeio praticamente à deriva: a clientela minguou.

“Isso aqui vivia cheio, era uma felicidade só. Agora é triste demais de ver, mas as obras do município estão muito lentas”, observa o vigia Deni Oliveira, 40, na praça. Ainda no centro, na rua Cristina Aziedi, a localidade classe média deu lugar a um ponto em que predominam casas interditadas, esqueletos de construções e obras de contenção ainda longe de terminarem. Foi ali que 22 pessoas morreram.


Para a comerciante Eliane Moura, 60, moradora da rua, pouca coisa mudou desde janeiro de 2011. “Retiraram entulhos e interditaram várias casas. Eu mesma até hoje tenho que deixar meu carro na rua por causa das restrições que impuseram, mas a situação aqui mostra bem a inércia e a inoperância dos governos: foram mais de sete meses para começar as obras, que são lentas, e basta chover para a gente ter medo e monitorar nível da água, essas coisas --e para quê? Para se sentir num lugar aterrorizante. É isso que virou”.


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